O "Difícil Caminho da Aprendizagem da Leitura e Escrita"
A leitura e a escrita, sabemos não serem habilidades natas, ou seja , é necessário que alguém ensine,, , mostre como é., como funciona, só assim as crianças poderão desenvolvê-las.
Passamos anos com alguns entendimentos equivocados à respeito do alfabetizar, mas é preciso abrir nossos horizontes, vários países da União Europeia e América do Norte possuem inúmeras pesquisas científicas que norteiam como o nosso cérebro funciona na aquisição da leitura e escrita. Essas pesquisas levaram a reformulação de como atuar nas escolas a fim de que as crianças sejam alfabetizadas com êxito.
Nestes últimos anos, aumentou muito o número de pesquisas, livros e artigos de cientistas sérios mostrando-nos o caminho apaixonante da Neurociências e de toda uma base que esta ciência delegou ao campo da aprendizagem cognitiva. Vivemos tempos de acolhermos na educação as contribuições da Neurologia, Psicologia Cognitiva e Comportamental, Fonoaudiologia, Pediatria, Psicopedagogia, , Neuropsicopedagogia , Psicomotricidade e Pedagogia para podermos atuar com excelência na ensinagem, principalmente na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental .
Com larga experiência nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, há muito tenho procurado seguir o trabalho de profissionais brasileiros que tentam divulgar suas pesquisas, que como o Dr. Fernando Capovilla muito acompanhou e presenciou os estudos na área da alfabetização na Europa e aqui temos pesquisas e livros dele e de nomes como Simone Capellini, Jaime Luiz Zorzi, Alessandra Seabra,, Ramon M. Cosenza, Leonor B. Guerra, Roberto Lent, Suzana Herculano, Sônia Moojen, Newra Rotta, Martha Relvas, dentre muitos outros, que brindam-nos com produções excelentes para aprendermos como se aprende e assim com certeza encontrarmos respostas que enquanto docentes da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, não temos essas respostas, pois o que chega na escola e quando chega são laudos e códigos, que mesmo que o professor soubesse interpretá-los não saberia o que fazer com os mesmos.
Nas escolas, recebemos crianças que cursaram a Educação Infantil, mas ao ingressarem no primeiro ano, muitos não sabem pegar o lápis, nem pintar, recortar, amarrar o tênis é coisa do século passado, essas crianças não pulam corda, grande maioria permanece em frente ao computador, tablet ou celular, o que comprovadamente causa prejuízos no processamento cognitivo.
Com certeza, antes do meio do ano letivo(regular), apresentam dificuldades na escola. Enquanto professora, sempre me perguntei por quê as crianças não aprendiam ou apresentavam dificuldades, de onde eram essas dificuldades. Estudando muito, encontrei a Neurociência e sem sombra de dúvida, me apaixonei, iniciando a obter as respostas que nunca tive sanadas.
Iniciando naquele laudo que recebemos, quando os pais conseguem levar o filho no médico, o qual não diz muito ao professor, pois bem quando atesta por exemplo TDA ou TDAH, se o professor conseguisse testar as habilidades preditoras da leitura e escrita dessa criança,, perceberia que ganharia muto e esse laudo não modificaria nada. É necessário saber que, por exemplo, se a área motora, visual e perceptiva não estiver bem desenvolvida, essa criança não vai se alfabetizar e ficará desatento na sala de aula ou encontrará distratores, não acompanhando a turma, mas concluímos que não é bem TDA que essa criança apresenta.
A Neurociência mostra que de acordo com a área do cérebro afetada, em caso dos transtornos, teremos habilidades não desenvolvidas, necessitando estímulos, pois só assim alcançaremos avanços com essas crianças.
Voltando à leitura e escrita, é necessário estímulos dos preditores, ou seja, aliteração, rimas, linguagem oral, frio inibitório, percepção visoespacial, coordenação motora fina e ampla, etc. Nesse trabalho não adianta, fazermos atividades com rimas escritas, pois iniciamos com o processamento auditivo, ao colocarmos as palavras junto às figuras estaremos sobrecarregando de informações e não alcançaremos o objetivo.
Leitura e escrita é um processo complexo à nível cerebral, depende de muitos mecanismos que envolvem várias partes, também depende de como essa informação entrou, se processou e no que resultou.
Hoje, paramos por aqui.

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