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REFLETINDO UM POUCO SOBRE NOSSOS PEQUENOS EM TEMPO DE PANDEMIA

 

Pensando um pouco no que tenho, infelizmente, visto...

Ano passado as escolas no geral, tiveram um ano atípico assim, todos os segmentos envolvidos,  tiveram que se adaptar de uma forma ou de outra. Neste contexto, precisamos reconhecer a sobrecarga de trabalho dos professores, aprendendo e ensinando na pressão, no comprometimento, mesmo ninguém sabendo onde chegaríamos. Com certeza, fizeram tudo que estava e muitas vezes, "não estava ao seu alcance", pois além do trabalho extra não valorizado, ainda tiveram que arcar com os gastos de sua própria internet, abrir aos pais e alunos atendimentos em seu próprio telefone ou outro recurso de atendimento, pelo menos nas escolas públicas do RS, foi assim que aconteceu.

Até então eu e com certeza a maioria dos pais, acreditávamos que por ser uma situação nunca vista, no próximo ano letivo, teríamos currículos adaptados de acordo com o que foi possível ofertar a respeito de aprendizagem  e consolidação  pelos alunos. Isso era o mínimo esperado e me perdoe colegas e outras pessoas que com certeza não fazem parte deste desabafo. Mas, qual minha surpresa, ao ver rede de ensino neste ano de 2021, adotar livros, apostilas e tais instrumentos serem os únicos trabalhados neste ano.

É necessário refletirmos, os professores enviando as páginas de todas as áreas para aqueles que estão em casa fazerem e pense, são VÁRIAS páginas. O conteúdo segue, como se nada tivesse existido, como se a alfabetização que por mil motivos já provados pela ciência, neurociências, que têm condições propícias até aos 8 anos de idade estivesse  perfeita, consolidada. 

Então fiquei pensando, as crianças não aprendem de forma igual e sabemos que umas vencem o processo antes de outras, tudo muito normal se, todos tivessem as mesmas oportunidades ou pelo menos fosse cumprido o que determina a lei Nacional de Diretrizes e Bases da Educação e também ao que se refere a inclusão.

A alfabetização inicia no 1º Ano Fundamental e a criança tem até o 3º Ano Fundamental para consolidá-la, ou seja, como enquadrar todos nesse sistema de apostilas? Onde foi levado em conta os marcos de desenvolvimento dessas crianças? Onde está o atendimento AEE para aqueles com dificuldades na aprendizagem?

É inaceitável  agirmos em pleno 2021, sem pensar que a escola existe para ensinar os conhecimentos acadêmicos a seres humanos que cientificamente aprender de determinada maneira porque a aprendizagem necessita ativar várias áreas cerebrais para que se conclua, neste processo o professor é um mediador que muitas vezes precisa apontar e até elaborar novas rotas para que seus alunos aprendam. Assim, como fazer isto com conteúdos, atividades prontas em um livro? Como alcançar aqueles alunos mais lentos que necessitam atendimento individualizado?

Há dezenas de crianças que chegam no segundo e terceiro ano do Ensino Fundamental na metade do processo de alfabetização, o que demanda trabalho diferenciado pelo professor, com apostilas, livros, como o professor fará isto? Sendo que as crianças na escola também trabalham nesses livros, apostilas determinadas para cada semestre!

Estou falando do que conheço, pois tenho trinta anos entre 1º e 2º Anos do Fundamental em escolas públicas. O professor cumpre "as meta(apostilas por semestre)", mas onde está o desenvolvimento da criança? Se a criança não havia concluído a alfabetização, como vai fazer as atividades envolvendo textos de páginas? O quê estamos fazendo? Quais são os objetivos dos anos iniciais do Ensino Fundamental?

Para ler textos de páginas, a criança deve apresentar leitura fluente, compreensão do que lê e como fazer isto sem estar alfabetizado? 

Por Cátia B.Noal



 

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